Com chassis Scania K 320 6×2/2 e carroceria Marcopolo Viale, modelo possui, entre outros itens, sensores que detectam presença de pessoas, animais e obstáculos na lateral do veÃculo que possui 20 metros para reduzir riscos de acidente
ADAMO BAZANI
Colaborou VinÃcius de Oliveira
A Leblon Transporte de Passageiros, de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, juntamente com o Governo do Estado do Paraná, apresenta nesta sexta-feira, 11 de setembro de 2026, os primeiros 20 ônibus de um total de 37 unidades de um modelo articulado inédito no sistema.
O anúncio foi feito em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (10), da qual o Diário do Transporte participou.
Com chassis Scania K 320 6×2/2 e carroceria Marcopolo Viale, cada ônibus possui, entre outros itens, sensor que detecta presença de pessoas, animais e obstáculos na lateral do veÃculo, que possui 20 metros, para reduzir riscos de acidente.
O proprietário Leblon Transportes, Haroldo Isaak, disse que a frota será dividida em duas linhas, sendo 20 para a linha entre o Terminal Fazenda Rio Grande, cidade vizinha de Curitiba, e o Terminal Pinheirinho, já na capital. Estes veÃculos são na cor padrão metropolitana da gerenciadora do estado AMEP, “branco Califórnia”.
Outras 17 unidades serão para a linha troncal “Fazenda Rio Grande/Curitibaâ€�, chamada de “Ligeirãoâ€�. Os veÃculos serão de forma inédita na cor vermelha para, agora, serem de acordo com a rede da capital de alta capacidade. Até então, os veÃculos desta linha são tradicionalmente na cor prata.
O Diário do Transporte noticiou em primeira-mão a mudança por meio de uma fala do governador Ratinho Jr.
Relembre:
O trajeto engloba a BR-116, rodovia Régis Bittencourt, sem segregação, enfrentando o trânsito comum, o que amplia a necessidade de ampliação de segurança.
A expectativa é de que parte desta ligação seja contemplada com a ampliação do corredor exclusivo “Linha Verdeâ€�, o que vai reduzir o tempo de deslocamento e aumentar a produtividade de cada veÃculo.
Segundo o gerente de contas de Vendas de Soluções em Mobilidade da Scania Operações Comerciais Brasil, Rogerio Moro, os veÃculos possuem o pacote “ADASâ€� de segurança, com funções como frenagem de emergência e a chamada “percepção de ponto-cegoâ€�, que são sensores que detectam a presença de pessoas, animais e obstáculos na lateral.
Os ônibus possuem ainda sensores que detectam mudança de faixa sem sinalização, alertando o motorista e evitando manobras mais arriscadas.
Haroldo Isaak disse que a aquisição de um pacote de segurança deste tipo é inédita em ônibus urbanos da marca e que se trata de uma decisão estratégica que compactua com o perfil da empresa, uma das pioneiras do segmento a ter certificações de qualidade, como a ISO 9001 e a ISO 39001, que é a norma internacional para Sistemas de Gestão da Segurança Viária (SGSV), criada para ajudar empresas e organizações a reduzir e eliminar mortes e ferimentos graves em acidentes de trânsito.
O empresário disse que outra preocupação para a escolha foi manter a alta capacidade de atendimento dos serviços.
Cada ônibus transporta aproximadamente 160 pessoas. A operação conta com 33 mil embarques por sentido.
Além disso, há expectativa de aumento de demanda. Fazenda Rio Grande é a segunda cidade que mais cresceu no Brasil e a primeira no Paraná.
Haroldo Issak ainda destacou que o investimento, por meio de consórcio, foi de cerca de R$ 70 milhões. Foi a maior compra em lote único de ônibus articulados que a empresa fez e ocorre às vésperas de um processo de licitação do sistema metropolitano, cujo edital chegou a ser lançado pela AMEP e depois suspenso para ajuste.
Para a renovação de frota no sistema, mesmo diante de uma reformulação, as companhias de ônibus e o Governo do Estado fizeram um acordo pelo qual, caso determinada empresa não fique mais no sistema após o processo licitatório, o poder público assumiria a compra dos veÃculos.
O empresário disse que a frota como um todo no sistema já estava envelhecida e que o acordo deu segurança de investimento e jurÃdica tanto para as companhias de transportes como para os agentes de financiamento.
Futuro corredor terá 17,5 quilômetros
A renovação anunciada agora ocorre enquanto o Governo do Paraná avança nos estudos para uma transformação estrutural da ligação entre Fazenda Rio Grande e Curitiba.
A Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (AMEP) conduz o projeto do chamado BRT Norte-Sul Metropolitano, concebido para ampliar a infraestrutura de transporte coletivo tanto ao norte quanto ao sul da capital.
No eixo de Fazenda Rio Grande, está prevista uma ligação de 17,5 quilômetros entre Curitiba e o municÃpio metropolitano.
O corredor partirá da região do Pinheirinho, em Curitiba, seguirá pelo eixo da BR-116, passará pelo Terminal Central de Fazenda Rio Grande e avançará até o bairro Estados.
A proposta é criar infraestrutura exclusiva para os ônibus, dando continuidade ao conceito empregado nos corredores estruturais de Curitiba.
O projeto faz parte de uma intervenção maior que também prevê, no sentido norte da Região Metropolitana, aproximadamente 5,9 quilômetros de infraestrutura exclusiva entre a região do Atuba, em Curitiba, e o Terminal Guaraituba, em Colombo, passando pelo Terminal Maracanã.
Projeto do BRT começou a avançar em 2025

A preparação do corredor ganhou corpo em 2025, quando a AMEP estruturou a contratação dos estudos de viabilidade e dos anteprojetos viários.
O edital para desenvolvimento dos estudos foi publicado em dezembro daquele ano, com valor máximo de R$ 6,102 milhões.
Em janeiro de 2026, durante a apresentação do projeto em Fazenda Rio Grande, o Governo do Estado destacou que a infraestrutura pretende estabelecer uma ligação de transporte coletivo de alta capacidade entre o municÃpio e Curitiba.
Além da construção de pistas exclusivas, o planejamento envolve terminais e a reorganização da circulação dos ônibus metropolitanos.
A Prefeitura de Fazenda Rio Grande chegou a divulgar, na apresentação do projeto, uma estimativa segundo a qual a futura infraestrutura poderá reduzir significativamente os tempos de viagem no eixo metropolitano.
Uma ligação estratégica para a Grande Curitiba
Fazenda Rio Grande registrou forte crescimento populacional nas últimas décadas e possui intenso movimento pendular de trabalhadores e estudantes em direção a Curitiba.
A AMEP mantém atualmente diversas linhas metropolitanas atendendo o municÃpio, entre elas F01 Fazenda–Pinheirinho, F02 Curitiba–Fazenda Rio Grande, F03 Fazenda Direto, F05 Fazenda–CIC e F71 Fazenda–Guadalupe, além de serviços locais e intermunicipais integrados.
Em março de 2026, a rede ganhou ainda a linha Y95 Fazenda Rio Grande–SÃtio Cercado, criando uma conexão direta com o sul de Curitiba e reduzindo, para parte dos passageiros, a necessidade de passagem pelo Terminal Pinheirinho.
A renovação com 37 articulados, portanto, ocorre dentro de um processo mais amplo de reorganização da mobilidade no eixo sul metropolitano.
Além de aumentar a quantidade de veÃculos modernos disponÃveis para uma ligação de grande demanda, a adoção do vermelho sinaliza antecipadamente o conceito pretendido para o futuro corredor: uma operação metropolitana cada vez mais próxima do padrão Expresso que tornou Curitiba referência internacional em sistemas BRT.
O PACOTE DE SEGURANÇA SCANIA
Para os ônibus comercializados no Brasil, a Scania trabalha atualmente com o ADAS 2.0 (Advanced Driver Assistance Systems) como pacote opcional de segurança.
O pacote usa câmera frontal no para-brisa, radar no para-choque dianteiro e sensores laterais. No portfólio brasileiro, os principais recursos são estes:
| Sistema | Função |
| AEB | Frenagem de emergência avançada |
| LDW | Alerta de saÃda involuntária de faixa |
| ACC | Controle de cruzeiro adaptativo |
| ASLA | Monitoramento lateral, ponto cego e usuários vulneráveis |
| Alerta frontal de pedestres/ciclistas | Identifica risco à frente em baixa velocidade |
| Câmera traseira | Imagem da área atrás do ônibus |
| Leitura de placas | Identifica e exibe limites de velocidade |
AEB – FRENAGEM DE EMERGÊNCIA AVANÇADA
O AEB combina o radar dianteiro com a câmera frontal para calcular continuamente a distância e a velocidade relativa do veÃculo à frente.
A Scania descreve uma atuação em três nÃveis. Primeiro, o sistema emite aviso sonoro e mostra a advertência no painel. Se o risco continuar, inicia uma frenagem parcial e provoca vibração no banco do motorista. Se ainda não houver reação suficiente, pode executar uma frenagem de emergência mais intensa, utilizando os freios de serviço e a integração com o trem de força para reduzir a possibilidade ou a gravidade de uma colisão frontal.
A versão atual também ampliou a capacidade do AEB para reconhecer pedestres, segundo a fabricante.
É importante tecnicamente não descrever o AEB como um sistema que “impede acidentesâ€�. Ele é um sistema de assistência que pode evitar uma colisão em determinadas condições ou, quando isso não é possÃvel, reduzir velocidade e consequências do impacto.
LDW – AVISO DE SA�DA DE FAIXA
O Lane Departure Warning monitora as marcações da pista pela câmera frontal.
Quando identifica que o ônibus está deixando involuntariamente sua faixa, o sistema alerta o motorista. A função é voltada principalmente para situações de desatenção, perda momentânea de referência da pista ou inÃcio de desvio não comandado pelo condutor.
O LDW da configuração brasileira descrita pela Scania é essencialmente um sistema de aviso. Não convém confundi-lo com sistemas mais avançados de manutenção ativa na faixa, nos quais a direção intervém automaticamente.
ACC – CONTROLE DE CRUZEIRO ADAPTATIVO
O Adaptive Cruise Control utiliza o radar dianteiro para manter uma distância predeterminada em relação ao veÃculo que segue à frente.
Em uma rodovia, por exemplo, se o ônibus está com a velocidade programada e encontra um veÃculo mais lento, o sistema pode ajustar a velocidade para preservar o intervalo de segurança. Quando as condições permitem, volta ao valor programado.
A Scania informa ainda a possibilidade opcional de funcionamento do ACC desde 0 km/h, permitindo ampliar a atuação para situações de tráfego lento.
O ACC não deve ser confundido com o Actcruise. O ACC observa principalmente o tráfego à frente; o Actcruise usa GPS e informações topográficas para antecipar aclives e declives e administrar velocidade e trocas de marchas com foco também em consumo. Nos Super Ônibus de 2026, o Actcruise passou a integrar a configuração de fábrica informada pela Scania, enquanto o ADAS 2.0 permanece no pacote opcional.
ASLA – PONTO CEGO E PEDESTRES NAS LATERAIS
A evolução mais importante introduzida no ADAS 2.0 brasileiro foi o conjunto de sensores laterais chamado pela Scania de ASLA.
Ele monitora áreas que o motorista tem maior dificuldade de visualizar diretamente, principalmente nas laterais de um veÃculo longo.
A fabricante descreve três nÃveis de advertência para usuários vulneráveis detectados nessa região. Com uma pessoa ou outro usuário vulnerável identificado lateralmente, há indicação âmbar. Se o motorista aciona a seta em direção à área ocupada, o aviso passa a piscar e o banco vibra. Quando o sistema identifica uma situação mais crÃtica de aproximação do ônibus, o alerta se torna vermelho e a vibração aumenta.
Esse recurso tem especial aplicação em ônibus urbanos, nos quais conversões à direita ou à esquerda colocam ciclistas, motociclistas e pedestres próximos às laterais e aos balanços da carroceria.
ALERTA FRONTAL PARA PEDESTRES E CICLISTAS
Além da detecção lateral, a atual página técnica da Scania Brasil detalha um aviso frontal para usuários vulneráveis.
Sensores identificam pedestres ou ciclistas que atravessem ou permaneçam diante do ônibus.
No primeiro nÃvel há indicação visual no display. Se o sistema interpretar que existe risco iminente de colisão, surge uma advertência vermelha acompanhada por sinal sonoro.
Segundo a Scania, essa função atua em velocidades de até 10 km/h, é ativada automaticamente e pode ser desligada pelo motorista por meio de comando no painel.
É uma função particularmente voltada a manobras e circulação urbana em baixa velocidade.
CÂMERA TRASEIRA DE 180 GRAUS
A Scania também relaciona entre as tecnologias de segurança uma câmera traseira ativada automaticamente quando a marcha à ré é selecionada.
A imagem é mostrada no display do motorista e a fabricante informa ângulo de visão de 180 graus, permitindo acompanhar pessoas, veÃculos e obstáculos imediatamente atrás da carroceria.
RECONHECIMENTO DE LIMITES DE VELOCIDADE
Outro recurso lê placas de regulamentação de velocidade e combina essas informações, quando disponÃvel, com dados cartográficos.
O limite identificado aparece no display do motorista. Caso o veÃculo ultrapasse o valor reconhecido, o sistema emite alerta sonoro. O condutor pode silenciar temporariamente o aviso.
ADAS NÃO É O MESMO QUE ESP, RETARDER E ANTICAPOTAMENTO
Para uma reportagem técnica, esta separação é importante.
A Scania reúne na área de segurança dos ônibus outros sistemas que trabalham junto com o ADAS, mas não devem ser chamados necessariamente de componentes do ADAS 2.0.
O ESP monitora a trajetória e pode frear individualmente as rodas quando identifica perda de estabilidade. O Retarder R4100D é um freio auxiliar hidráulico integrado ao trem de força, com torque de frenagem informado de 4.100 Nm, usado principalmente para reduzir a exigência dos freios de serviço em descidas. Nos rodoviários, há ainda um sistema anticapotamento que, segundo a fabricante, reduz o centro de gravidade ao esvaziar as bolsas de suspensão quando identifica inclinação superior a 23 graus.
São tecnologias complementares: enquanto o ADAS observa ambiente, faixa, distância e usuários vulneráveis e pode gerar avisos ou intervenções, ESP e sistemas de frenagem atuam sobre a dinâmica do veÃculo.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes