
Empresas que utilizarem ônibus elétricos terão remuneração 12% maior no Rio, mas eletrificação não será obrigatória
Por Adamo Bazani
As empresas que colocarem ônibus elétricos para operar nos cinco lotes de linhas da cidade do Rio de Janeiro, cuja licitação foi lançada na semana passada e divulgada em primeira mão pelo Diário do Transporte, receberão uma remuneração 12% superior à prevista para os veículos movidos a diesel.
É o que prevê o edital.
As propostas deverão ser entregues em 28 de agosto de 2026.
Os valores de remuneração por quilômetro variam conforme cada lote.
A eletrificação da frota não será obrigatória, mas o adicional de remuneração considera que o custo de aquisição dos ônibus elétricos é cerca de três vezes maior que o dos modelos a diesel. Em contrapartida, os custos operacionais por quilômetro — considerando abastecimento e manutenção — são aproximadamente cinco vezes menores. Além disso, a vida útil dos elétricos varia entre 15 e 20 anos, enquanto a dos ônibus a combustão é de cerca de 10 anos.
A remuneração adicional será proporcional à quantidade de veículos elétricos na frota. Assim, uma empresa não precisará operar apenas com ônibus elétricos em uma linha, podendo mesclar as tecnologias.
Como tem mostrado o Diário do Transporte, tanto as empresas privadas quanto a Mobi-Rio (Companhia Municipal de Transportes Coletivos) realizam testes com ônibus elétricos.
Nas empresas privadas, os testes ocorrem de forma espontânea e esporádica, geralmente com veículos disponibilizados pelos fabricantes. Já a Prefeitura do Rio mantém um programa de avaliação dos modelos disponíveis no mercado brasileiro, nacionais e importados, para definir parâmetros para uma futura aquisição pública destinada à Mobi-Rio.
Remuneração básica por quilômetro (ônibus a diesel)
| Lote | Tarifa de referência |
|---|---|
| A1 a B6 | R$ 10,40/km |
| B1 a B8 | R$ 10,70/km |
| C1 a C2 | R$ 11,78/km |
| H1 a I3 | R$ 13,02/km |
| H2 | R$ 11,71/km |
Licitação do Sistema Rio
Na sexta-feira, 10 de julho de 2026, a Prefeitura do Rio de Janeiro abriu a licitação para selecionar as empresas responsáveis pela nova Rede Integrada de Ônibus, denominada Sistema Rio.
O contrato terá vigência de 10 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 10 anos.
O edital prevê cinco lotes operacionais, somando mais de R$ 1,39 bilhão em contratos.
As empresas vencedoras serão responsáveis pela implantação de garagens e pelo fornecimento da frota de ônibus.
O critério de seleção será a menor tarifa de remuneração por quilômetro apresentada.
A abertura das propostas está marcada para 28 de agosto de 2026, às 11h, na Procuradoria-Geral do Município.
Renovação da frota
Segundo a Prefeitura do Rio, ao longo da concessão deverão ser adquiridos 5 mil ônibus zero quilômetro. Até o momento, não há exigência de utilização de veículos elétricos.
A previsão é de:
- Ampliação da frota em 25%;
- Manutenção da bilhetagem sob gestão da prefeitura, e não das empresas;
- Divisão do sistema em 31 áreas operacionais, sendo 22 estruturais e nove locais.
As licitações ocorrerão em etapas, começando pelas regiões com maiores problemas operacionais.
O novo modelo substituirá o sistema atualmente operado pelos consórcios Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz, com o objetivo de aumentar a concorrência, padronizar o serviço e melhorar o atendimento à população.
As primeiras regiões contempladas serão Campo Grande e Santa Cruz:
- Campo Grande Norte passará de 95 para 150 ônibus no lote estrutural;
- O lote local crescerá de 37 para 200 veículos;
- Santa Cruz terá a frota ampliada de 67 para 330 ônibus.
Ao todo, a Zona Oeste receberá 481 novos ônibus.
A segunda fase deverá contemplar a Ilha do Governador no início de 2026. Segundo a prefeitura, a empresa Paranapuan possui a pior avaliação no Índice de Qualidade de Transportes (IQT). As demais fases seguirão até 2028, acompanhando o término dos contratos atuais.
Além da renovação da frota, o projeto prevê maior transparência na operação e fiscalização mais rigorosa, incluindo o combate às chamadas “linhas fantasmas” e o cumprimento dos horários, com o objetivo de aumentar a confiabilidade do sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes e Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte