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SPTrans é questionada sobre ônibus elétricos de piso alto, confirma 500 para domingo e admite que somente 3,6% das vias têm alguma prioridade

SPTrans é questionada sobre ônibus elétricos de piso alto, confirma 500 para domingo e admite que somente 3,6% das vias têm alguma prioridade

Com degraus, mesmo com elevadores, piso alto não oferece acessibilidade plena. Troca de articulados a diesel por padrons elétricos (menores) também foi questionada

ADAMO BAZANI

A SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora dos transportes da capital paulista, foi duramente questionada e criticada na manhã desta quarta-feira, 17 de junho de 2026, porque vai permitir ônibus elétricos de piso alto, em especial os de 12,1 metros, o que iria na contramão de acessibilidade plena nos transportes.

Com dificuldades ainda da troca de modelos a diesel por elétricos, por falta de infraestrutura para recarga de baterias, a idade média da frota da cidade é uma das maiores da história: 6 anos e 11 meses. Desde 17 de outubro de 2022, não podem mais ser comprados ônibus a diesel 0 km. A idade máxima permitida passou de 10 anos para 13 anos e 14 anos no caso de micrões (mídis) e as metas de eletrificação não foram alcançadas.

Conforme foi adiantado pelo Diário do Transporte, no próximo domingo, 21 de junho de 2026, serão apresentados 500 ônibus elétricos para a cidade de São Paulo, dos quais 104 articulados, o que elevará o número deste tipo de veículo para 1.759.

ELÉTRICOS SEM ACESSIBILIDADE PLENA:

O questionamento ocorreu na 1ª Reunião da Câmara Temática do Transporte Público do CMTT (Conselho Municipal de Trânsito e Transporte da capital paulista.

Com degraus, mesmo com elevadores, a configuração de piso alto não oferece acessibilidade plena

O Diário do Transporte mostrou com exclusividade que a gerenciadora dos transportes por ônibus da cidade de São Paulo, confirmou à reportagem que vai permitir a circulação de modelos elétricos de piso alto com degraus e elevadores pela capital paulista. Tratam-se de duas versões do e-Caio Apache Vip V, com tecnologia Blu Eletric. Tanto a encarroçadora Caio como a eletrificadora Blu Eletric são relacionadas a grupos empresariais que operam ônibus na cidade de São Paulo. Os chassis são da Volkswagen. Chama a atenção que uma das versões de elétrico de piso alto é de 12,1 metros de comprimento.

Na ocasião, a SPTrans informou que a liberação destas configurações será apenas em trajetos específicos, onde o piso baixo não tem condições de rodar.

Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2026/06/13/sptrans-vai-permitir-onibus-eletrico-de-piso-alto-e-degraus-em-excecoes-dois-modelos-sao-avaliados-e-apesar-de-inclusao-de-layout-ainda-nao-estao-aprovados/

Mas os membros do CMTT apontaram que falta transparência do poder público para deixar claro quais são de fato as vias onde não podem mesmo trafegar piso baixo.

De acordo com a conselheira, Sandra Ramalhoso, até agora esta relação não foi totalmente atualizada à CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade)

A SPTrans justificou a falta de oferta de modelos menores, como mídis e micros, de piso baixo total, pela indústria.

Foram citados pelos conselheiros modelos como os chineses da Ankai e da Higer, mas a SPTrans destacou as dificuldades de importação e financiamento e explicou que há avanços em modelos feitos no Brasil, como Eletra e BYD.

O conselheiro Rafael Drummond questionou que não procede a informação sobre os preços dos veículos elétricos com piso baixo total.

“Pela própria planilha da SPTrans, os modelos da Blu Eletric (piso alto) acabam saindo mais caro para o município até que se for importar da Ankai, por exemplo, da China� – disse.

A SPTrans admitiu que o Blu Eletric é mais caro, mas justificou dizendo que os modelos importados com piso baixo total contam com menos linhas de financiamento.

Imagens obtidas pelo Diário do Transporte mostram testes de um modelo tipo padron elétrico de 12 m, da Blu Eletric em vias onde, segundo operadores, o tráfego de configurações de piso alto seria mais difícil.

PADRONS MENORES NO LUGAR DE ARTICULADOS MAIORES:

Outro questionamento na reunião foi a troca de ônibus a diesel mais antigos articulados por elétricos padrons, que são menores e cabem menos gente.

Um dos exemplos foi a linha 106 A – 10 (Terminal Metrô Santana – Itaim Bibi), que deixou de ter articulados.

A SPTrans diz que no caso específico, a frota da linha no pico que era de 22 articulados passou para 44 padrons elétricos.

Ainda de acordo com a SPTrans, o nível de qualidade da linha foi mantido e o total de passageiros cresceu 10%

Estavam na pauta deste primeiro encontro, que ocorreu de forma virtual, três eixos de discussão:

1.    Idade média da frota de ônibus em operação

2.    Indicadores do sistema de ônibus da cidade de São Paulo

3.    Renovação da Frota: Entrega de Novos Ônibus Elétricos

FALTA DE PRIORIDADE AO TRANSPORTE COLETIVO

De acordo com a apresentação da SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema de ônibus, hoje a cidade tem 13.460 coletivos que transportam por dia 7,2 milhões de passageiros, em 1322 linhas. São realizadas 163 mil viagens nos dias úteis, percorrendo 2,15 milhões de quilômetros por dia.

Somente 3,6% dos cerca de 20 mil km do viário da cidade de São Paulo apresentam alguma prioridade para o transporte coletivo por ônibus, sendo que uma minoria é de corredores. De 725,6 km de vias com algum espaço para ônibus, apenas 135,3 km são corredores e 590,3 km são faixas. São 4,7 mil km de vias na cidade por onde passam ônibus.

A SPTrans enfatizou que, proporcionalmente, é o maior índice de vias com prioridade no Brasil.

PERDA DE PASSAGEIROS:

A SPTrans também informou que antes da pandemia de covid-19, o sistema de ônibus municipal transportava cerca de nove milhões de pessoas por dia. Os 7,2 milhões de usuários atuais correspondem em torno de 80% da demanda. Esta quantidade se estabilizou nos últimos dois anos, o que significa que o sistema de ônibus não teve atratividade para convencer o retorno destes 20% restantes.

Segundo a SPTrans, parte disso se deve às mudanças das relações de trabalho, com aumento de home office, e a expansão da malha de trens e metrôs.

Os representantes da gerenciadora informaram ainda que há uma expectativa de queda maior de demanda dos ônibus, em especial nas zonas Sul e Oeste, por causa das linhas metroferroviárias, como para a região de Varginha, a ampliação da linha 4-Amarela e a inauguração parcial da linha 6-Laranja.

REUNIÃO CONFIRMA 500 ÔNIBUS ELÉTRICOS NOTICIADOS EM PRIMEIRA-MÃO PELO DI�RIO DO TRANSPORTE:

Na reunião, a SPTrans confirmou informação divulgada em primeira-mão pelo *Diário do Transporte*, da apresentação de mais 500 ônibus elétricos para a o sistema municipal neste domingo, 21 de junho de 2026. Deste total, serão 104 articulados elétricos.

Relembre:

Entrega de 500 ônibus elétricos em São Paulo será na próxima semana, diz Caldeira

A cidade de São Paulo possui cerca de 80% da frota nacional de ônibus elétricos, com aproximadamente 1,3 mil unidades.

Apesar do número expressivo, é bem abaixo da meta que deveria ser alcançada em dezembro de 2024, com 2,6 mil unidades.

A prefeitura atribui este atraso principalmente a falta de infraestrutura para dar conta da tensão de energia na rede da ENEL.

Desde 17 de outubro de 2022, as viações estão proibidas de comprar ônibus a diesel. Como a elétrica não avança no ritmo necessário, a frota circulante envelhece. A SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora do sistema municipal, ampliou a idade máxima permitida dos ônibus de 10 anos para 13 anos de modelo e, no caso dos mídis (micrões), este limite passou para 14 anos de modelo e 15 anos de fabricação.

Agora, a meta é nova, mais modesta: mais 2,2 mil ônibus menos poluentes até 2028, considerando a possibilidade de ônibus a biometano (combustível obtido na decomposição de resíduos).

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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